terça-feira, 8 de outubro de 2013

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Guarda: Clube apresenta projecto saudável





Nunca ouviu falar de alimentação saudável e de «slow food» - por contraposição a «fast food»? Mora na Guarda ou perto? Então chegou a hora de saber do que se trata.
Um grupo de cidadãos da Covilhã criou um clube especificamente dirigido a um estilo de vida saudável, agricultura biológica, alimentação equilibrada...
Beneficie da apresentação do Projecto CASAS na GUARDA / Segunda-feira, 21 de Outubro, às 19:30, na Martuccis Gelataria.
Para saber mais sobre este clube, aceda aqui. Há nesse «post» acesso a um vídeo que lhe explica tudo em poucos minutos. 
Depois de várias apresentações em cidades da região, chegou a vez da Guarda.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

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Saiba mais sobre o Projecto CASAS e veja o vídeo da Local TV (último link).

Por um estilo de vida mais saudável


Clube de Alimentação Saudável e Agricultura Sustentável – CASAS


Este Clube (CASAS) tem vários objectivos:
1 – Promover a Economia Agrícola Local.
2 – Promover modos de produção agrícola amigos do ambiente
3 – Fortalecer os laços da Comunidade local.
4 – Divulgar informação sobre a alimentação saudável, a nutrição equilibrada, vários estilos de vida compatíveis com a realização pessoal, bem como produzir alimentos vocacionados para a saúde, protegendo o meio ambiente.
5 Acções de formação sobre as temáticas atrás referidas.

Economia Local, Meio Ambiente e Comunidade.



Covilhã
Por iniciativa de um grupo de cidadãos, a Covilhã já tem um clube de alimentação saudável e de agricultura sustentável. Ao Ignite, Francisco Dinis veio dar a conhecer o projeto que privilegia a produção local, o comércio justo e a slow food.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

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ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2013

Nacional / regional
Análise de abstenções, brancos e nulos



Novo mapa autárquico do País

Passaram oito dias, mas ainda vamos a tempo de uma pequena referência acerca de um fenómeno: o crescimento de votos brancos nulos e de abstenções. 
Num primeiro plano, vamos apenas comparar os resultados ao nível de distritos: Guarda, Viseu, Castelo Branco. E em cada caso, comparar 2013 com 2009. No final, coloco os números a nível nacional para cada uma das mesmas rubricas e também para as duas últimas eleições.
Num segundo plano, estudei os números da abstenção, brancos e nulos - mas virado para os arredores daqui, da Serra d' Opa.
Partindo daí, cada um retira as suas conclusões, se tiver interesse...

Vamos lá então:

I
Plano nacional
Maioria / votação para câmaras: PS (36,25%)
Votantes: 4.996.074
Inscritos: 9.497.037
a. Abstenção 
2013: 47,39%
2009: 40,9%
b. Brancos 
2013: 3,87%
2009: 1,72%
c. Nulos 
2013: 2,85%


2009: 1,25%

II
Plano regional

1. Maioria / câmaras, 
votantes e inscritos / nível 
distrital na nossa zona
Distrito da Guarda
Maioria: PS (39,74%)
Votantes: 103.588
Inscritos: 167.971
Distrito de Viseu
Maioria: PS (39,33%)
Votantes: 216.188
Inscritos: 379.092
Distrito de Castelo Branco
Maioria: PS (44,33%)
Votantes: 107.366
Inscritos: 185.175

2. Abstenção / nível 
distrital na nossa zona
Distrito da Guarda 
2013: 38,33%
2009: 35,02%
Distrito de Viseu 
2013: 42,97%
2009: 37,62%
Distrito de Castelo Branco 
2013: 42,02%
2009: 37,52%

3. Votos brancos / nível 
distrital na nossa zona
Distrito da Guarda 
2013: 3,13%
2009: 1,79%
Distrito de Viseu 
2013: 3,36%
2009: 1,51%
Distrito de Castelo Branco 
2013: 3,75%
2009: 2,44%

4. Votos nulos / nível 
distrital na nossa zona
Distrito da Guarda
2013: 3,04%
2009: 1,76%
Distrito de Viseu
2013: 2,78%
2009: 1,49%
Distrito de Castelo Branco
2013: 2,99%
2009: 1,90%


III
Plano local

Casteleiro
Maioria/AF: Lista independente - 89,57%
Votantes: 163
Inscritos: 400

a. Abstenção
2013: 59,25%
2009: 44,03%
b. Brancos
2013: 8,59%
2009: 3,49%
c. Nulos
2013: 1,84
2009: 2,71%

Sortelha
Maioria/AF: PS - 72,22%
Votantes: 288
Inscritos: 525

a. Abstenção 
2013: 46,14%
2009: 39,53%
b. Brancos 
2013: 1,04%
2009: 0,85%
c. Nulos 
2013: 1,74%
2009: 1,71%


Moita / Santo Estêvão
Maioria/AF: PS - 27,37%
Votantes: 285
Inscritos: 520

a. Abstenção 
2013: 46,19%
2009: 41,51/42,5%
b. Brancos 
2013: 4,21%
2009: 0,86/3,85%
c. Nulos 
2013: 4,21%
2009: 5,17/2,56%


Vale da Sra. da Póvoa
Maioria/AF: PS - 60,29%
Votantes: 209
Inscritos: 269

a. Abstenção 
2013: 22,30%
2009: 22,98%
b. Brancos 
2013: 0%
2009: 2,11%
c. Nulos 
2013: 1,44%
2009: 0%


Caria
Maioria/AF: PS - 54,66%
Votantes: 1.199
Inscritos: 2.004

a. Abstenção 
2013: 41,17%
2009: 37,52%
b. Brancos 
2013: 3%
2009: 1,74%
c. Nulos 
2013: 3,67%
2009: 1,27%


Bendada
Maioria/AF: PSD - 64.17%
Votantes: 427
Inscritos: 655

a. Abstenção 
2013: 34,71%
2009: 32,22%
b. Brancos 
2013: 0,70%
2009: 0,39%
c. Nulos 
2013: 0,47%
2009: 0,97%

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

94


    Entrevista com 

      Ricardo Nabais      




Associação «Transcudânia»

Pela Valorização do Património Histórico 
e Natural do Concelho do Sabugal

O nosso entrevistado de hoje é Ricardo Nabais, jovem engenheiro florestal, natural do Casteleiro, é presidente da Direcção da Transcudânia (“Associação para a Valorização do Património Histórico e Natural do Concelho do Sabugal”, com sede no Casteleiro - aceder por aqui e aqui). É técnico na Associação Transumância e Natureza, com sede em Figueira de Castelo Rodrigo (ver aqui aqui). No meio de todas estas frentes de trabalho, Ricardo Nabais ainda acumula com a direcção do Núcleo da Guarda da Quercus.
Multifacetado como é, em linha média posso resumir que, «grosso modo», passa os seus dias a cuidar do Planeta, de várias formas e feitios mas sempre em defesa de causas ambientais e correlacionadas. Um dos projectos que concebeu, o Gesterra - gestão de terrenos abandonados -, foi distinguido com um prémio de empreendedorismo na Guarda.
Daí à criação de uma empresa do ramo foi um passo: nasceu o projecto empresarial Rotas & Raízes, apresentado aqui.
Vamos então à conversa.
  


Transcudânia: há quase oito anos

Ricardo Nabais, como é esta tarefa de, durante os três nos que agora terminam, presidir a uma associação, a Transcudânia, que se propõe valorizar o Património Histórico e Natural do Concelho do Sabugal?
A Associação Transcudânia pretende valorizar e divulgar o nosso concelho. De facto, o concelho precisa de uma intervenção conjunta e urgente que promova e convide visitantes, fixe habitantes jovens e crie condições de atrair novos residentes. Gostava de dispor de mais tempo para dedicar à Associação e ao trabalho que temos pela frente, mas não tem sido fácil: somos poucos e todos temos actividades profissionais distintas. Vamos fazendo o que é possível. Mas há muito a fazer.

A Transcudânia foi criada em 2006 por iniciativa de jovens do concelho do Sabugal. Mas os primeiros anos não foram fáceis. E hoje, as coisas vão melhor?
Melhor, não sei até que ponto… O número de sócios aumentou, a intervenção da Transcudânia vai sendo reconhecida no concelho… Este ano conseguimos realizar mais uma edição do Festival Iberfolk. A maior dificuldade é a pouca disponibilidade dos jovens e de pessoas que se interessem em dinamizar a Associação e o concelho. Nos dias de hoje, em que cada vez temos mais obrigações e encargos profissionais, torna-se mais complicado dispor do tempo necessário para que qualquer associação funcione somente com voluntários.

Quais são os vossos principais objectivos hoje?
Dinamizar o património histórico, cultural e natural do concelho e divulgar o concelho em eventos de índole nacional e internacional. No momento em que preparamos esta entrevista, temos agendadas duas actividades, uma a realizar a 6 de Outubro, no âmbito do Fim de Semana Europeu de Observação de Aves, que decorrerá na Serra da Malcata e iremos também fazer as tradicionais Rondas de S. Martinho.
Pretendemos de facto, valorizar as potencialidades locais e regionais.

Registemos: tem havido apoios

Têm apoios, recebem incentivos de algumas entidades?
Sim. Como disse, este ano realizámos mais uma edição do Festival de Música Iberfolk, que foi apoiado, entre outras entidades, pela Câmara Municipal do Sabugal, termas do Cró, Viúva Monteiro, e Irmão, Lda e Junta de Freguesia de Sortelha – que também nos tem apoiado, sempre que solicitamos colaboração.

Com que entidades mantêm parcerias?
Temos parcerias com a ATN – Associação Transumância, que gere a primeira reserva natural privada, a Reserva da Faia Brava, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, a Biodiversity All, a Casa do Castelo do Sabugal (enquanto funcionou), o Fórum Florestal - Estrutura Federativa da Floresta Portuguesa e a Confraria Cão Serra da Estrela – isto, entre outras entidades, com que estão a ser estudadas as formas de colaboração.

Em que ponto está a vossa ambição de criarem uma rede de circuitos de turismo ambiental?
Falta o tempo para desenvolver este e outros projetos. Mas temos uma petição em conjunto com as juntas de freguesia envolventes da Serra da Malcata para que as casas dos guardas florestais sejam abertas e possam ser utilizadas pelas juntas, associações e mesmo empresas de animação turística, trazendo assim visitantes e dinamizando atividades na Serra da Malcata, que tem potencial que não está a ser utilizado.



Jovens e emigrantes são prioridade

Para a Transcudânia, a promoção que querem fazer sobre o Concelho tem em vista que públicos-alvo?
Tem em vista, em primeiro lugar, os jovens do concelho, procurando ajudar a criar condições para que possam se manter por cá; temos também como público-alvo, jovens e adultos que venham visitar o concelho e descobrir os encantos e potencialidades da nossa Região, para que possam voltar e trazer os amigos e a família, como tem vindo acontecer com o programa da Ciência Viva no verão.

Também consideram alvo prioritário os emigrantes e os residentes em zonas de grandes migrações internas como Lisboa e arredores?
Sim, claro que sim. Durante os meses de maior visita de imigrantes, no Verão, temos vindo a realizar os Passeios Ciência Viva, com visitas à Reserva da Malcata, à Serra dos Fóios e aos castelos do concelho.
Durante o ano, nas actividades que realizamos, temos sempre a participação de vários conterrâneos residentes fora do concelho, mas que continuam a vir participar em datas especiais.

Ao que sabemos, é vossa intenção apoiar a criação de empresas locais, já que as consideram como património social. A que tipo de empresas se referem? E, uma vez que apoiam a organização autónoma dos jovens, são prioritárias para a Transcudânia as empresas de jovens empreendedores? Que apoios lhes podem facultar?
A todo o tipo de empresas, a nossa ajuda é ao nível de partilha de conhecimentos sobre como criar uma empresa. Colaboramos também na divulgação da empresa, criamos uma rede de troca de ideias e ajuda entre empreendedores, através da página no facebook e no blog ‘Raia Empreendedora’ – ver aqui e aqui.



  
Projectos na área da Formação, também

A Associação tem projectos também, como anunciam no vosso ‘site’, em matéria de colaboração com as autarquias e associações locais na formação de activos e desempregados. Tem acontecido algo nesta frente difícil, sobretudo nas actuais condições da economia?
No início, a associação teve alguma formação nesta área em parceria com várias entidades. Nos dias de hoje, não é qualquer entidade que pode dar formação. Para a formação ter validade e ser credenciada tem de ser ministrada por entidades certificadas pela DGERT. A associação não o é e ainda não reúne nem as condições financeiras nem os recursos humanos necessários para se certificar. É uma área pela qual pretendemos enveredar, mas para isso ainda temos de crescer e investir muito.

O voluntariado é a base deste tipo de associações em todo o País. Numa zona algo deprimida e muito sujeita aos fenómenos da desertificação, como a nossa, este objectivo tem tido sucesso? O que pedem aos voluntários? Como faria para aliciar os nossos leitores?
Conforme já tive oportunidade de referir em questões anteriores, não tem sido fácil. A Associação tem poucas pessoas a “trabalhar”. Quando temos eventos de maior complexidade, aí, sim, pedimos ajuda e temos tido jovens voluntários a colaborar connosco. A única coisa que pedimos aos voluntários é que procurem fazer mais pelo nosso concelho, que sejam activos e que criem dinâmicas que activem o concelho e o tornem atractivo para os que estão e para o que nos visitam.

O que poderá seguir-se nos próximos tempos em matéria de actividades específicas da Transcudânia?
Os próximos tempos serão de arrumar a casa e preparar uma nova lista para as eleições que se avizinham, em janeiro de 2014.
Enquanto isso, iremos dar continuidade às atividades que já organizamos regularmente e recuperar outras, através de tradições ou costumes existentes no concelho (que se tenham perdido), realizando algo em volta dessa temática.
Pretendemos também colaborar ainda mais com os parceiros que já temos em alguns projetos específicos que possam ser alargados e implementados no nosso concelho.




terça-feira, 1 de outubro de 2013

93

Casa das Histórias
Belmonte
Maçainhas


Vale a pena conhecer melhor.
Trata-se de uma empresa da área da promoção de eventos, muito virada para aspectos históricos e com sede em Maçainhas.
Eis alguns apontamentos para aguçar o apetite...

Foto: HORSES were brought back to the Arann Isles of Ireland to graze in the month of September. All the horses from this island were taken from the islands in June and put out on grass among the hills of Connemara from June to the end of September, as there was no grazing in the Arann Isles during the summer. September maked the return of the horses to sea-islands like unto the horses of Manannán moving into the west at the waning of year.

Conheça...

1
Durante os meses de Outubro e Novembro, a Casa das Histórias irá realizar atividades culturais ligadas ao tema do Maravilhoso Popular, em particular na região Beirã, assim como da herança celta em Portugal.

2
Belmonte Lusitani
Rádio Caria.
Clique neste link para aceder:

3
Abra este pdf e conheça o projecto empresarial Casa das Histórias, em Maçainhas.

4
É um prazer do 'Serra d' Opa' divulgar esta espécie de serviço público pago.

Nota
Não, não é publicidade paga: é mesmo meu prazer trazer-lhe iniciativas deste tipo.


92

Extraído daqui:

Villa Romana da Quinta da Fórnea

 
 
A estação arqueológica romana de Villa Romana da Fórnea está situada no concelho de Belmonte a 2 km desta vila pela EN 345 em direção a Caria.

Villa Romana da Quinta da Fórnea (vista geral) - Belmonte
 
 
Esta villa agrícola é dos finais do séc.II d.c.e inícios do séc. III d.c.,intencionalmente abandonada séc. IV d.c.. Localizava-se em território dosLancienses Transcudani (povo que habitava esta parte da Lusitânia), zona de forte densidade populacional e com certeza de grande dinamismo económico, pois aqui passava a via que ligava Emerita Augusta a Bracara Augusta.

Nas escavações foram encontradas estruturas relacionadas com a pars rústica(o alojamento de servos), a dómus (residência senhorial) se localizaria nas proximidades e o balneário. Da pars rústica e da frumentária (celeiro, lagar, estábulos) conhecem-se alguns muros, pavimentos e canalizações. Esta área, separada da zona residencial por um valado, domina uma ligeira elevação a norte.

 
Celeiro e Unidades Transformadoras
 
Fornalhas
 
A escavação colocou a descoberto uma enorme propriedade de planta retangular, com pátio interior, para além da zona dos celeiros e dos lagares onde foi encontrado um dolium, um grande pote de barro para armazenamento, entre vários tanques onde ainda é visível o revestimento original opus signinum.

Apodytarium - Vestíários
 
Foram também descobertas estruturas monumentais pertencentes a uma necrópole que terão sido provavelmente jazigos de famílias. Esta propriedade rural terá albergado uma pequena comunidade autossuficiente provavelmente constituída por uma família e seus servos. Dos vestígios da construção postos a descoberto destacam-se as fundações da residência, dos estábulos, das forjas e dos celeiros, tudo organizado em formas quadrangulares perfeitas. A dividir as duas principais áreas está um caminho de grandes blocos de granito que realça a entrada principal da villa e o pátio, do qual se pode partir para a fundição que ainda guarda escórias de ferro resultantes do fabrico das alfaias agrícolas.

Entrada da Villa
 


Do espólio recuperado destacam-se uma moeda, um sestércio do Imperador Adriano, vários pesos de tear, vários dolium que se encontravam originalmente semienterrados para manter frescos os líquidos que continham e ainda inúmeros fragmentos de cerâmica sigillata e alguns objetos de ferro. No local também existem duas mós.

91

Extraído daqui:


Centum Cellas–Villa de Lucius Caecilius
 
A estação arqueológica romana de Centum Cellas também conhecida por “Torre de S. Cornélio” devido à morte de S. Cornélio que em 253 d.c., segundo a tradição, terá estado encarcerado neste edifício de 100 celas.

 
Torre S. Cornélio



Esta estação arqueológica está situada no concelho de Belmonte, próxima da confluência da ribeira de Gaia com o Rio Zêzere, em Colmeal da Torre EN 18, estando classificada como Monumento Nacional.

 
As funções atribuídas ao conjunto arqueológico foram Praetorium doacampamento militarPrisãoestalagem – mansio fortificado devido à proximidade de via militar; templo romanoedifício residencial de villaatendendo à compartimentação interna do conjunto. Na verdade, tudo parece ter sido contemplado e proposto.

 
Construção séc. I e II d.c. na época do Imperador Augusto ou pelo seu pelo seu fiel general Agripa; organização de um provável povoado ou cidade, numa zona de exploração mineira, na proximidade da via militar Bracara Augusta a Emerita Augusta e do hipotético castro do Monte de Santo Antão.

 
Entre os finais dos séculos III/IV d.c. houve um incêndio que destruiu parcialmente destruído tendo sido alvo de reconstrução do conjunto arqueológico, designadamente ao nível da disposição dos vários elementos que o compunham na origem. De entre este conjunto de remodelações, realçamos a presença de uma sala com ábide e larário, para cuja edificação foram reaproveitados materiais pertencentes às estruturas preexistentes onde aparecem sete áreas decoradas, com referências a Vénus e Minerva e de Lucius Caeciliuapontado como proprietário da Villae.

 
A área intervencionada até ao momento contempla somente uma pequena parcela da pars urbana da villa, que foi parcialmente danificada pela construção da estrada municipal que conduz ao Colmeal da Torre, passando a norte de Centum Cellas.
 
Villa Romana de Centum Cellae - Vista parcial
 
Quanto às Termas e à pars rústica, as suas zonas ainda não foram objeto de escavação, existindo a forte probabilidade de se encontrarem irremediavelmente perdidas para a investigação, ao terem sido destruídas pela plantação de vinhas, bem como pela construção de habitações recentes.
 
Exedra
 
Das escavações aqui efetuadas dirigidas identificaram-se dois marcos miliários; do espólio consiste ainda cerâmica comum, terra sigillata, cerâmica cinzenta fina polida, cerâmica pintada, numismas, fíbula zoomórfica, alfinete, pesos de tear, fragmentos de ossos incinerados e carvões, este espólio está depositado no Museu Francisco Tavares Proença Júnior (Castelo Branco). Terão sido identificados vestígios de exploração metalífera romana, de habitações e cemitério romanos e que o edifício da Torre não se encontrava isolado, antes sim, inserido num conjunto estrutural mais amplo e complexo, que incluía diversos compartimentos, de entre os quais sobressaiam salas, corredores, escadarias, caves e pátios. Por conseguinte, a Torre revela-se a parte central e melhor conservada daquela que terá constituído a villa de Lucius Caecilius, um abastado cidadão romano, negociante de estanho, que, em meados do século I d.c. mandou edificar a sua residência nesta zona, sob direção de um arquiteto, o qual, ao que tudo parece indicar, conheceria com profundidade as técnicas construtivas ditadas por Vitrúvio. Composta de apenas de dois pisos, a Torre reveste-se de uma evidente centralidade e imponência arquitetónica, em redor da qual se desenvolveu a restante estrutura habitacional, desempenhando um papel de autêntico epicentro das suas ecléticas tarefas diárias.