sexta-feira, 11 de outubro de 2013

103

Nota prévia
Esta peça foi preparada para o «Capeia Arraiana», onde pode ser consultada também.

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ENTREVISTA

António Marques
Um criador de cães da Serra da Estrela


O cão «Serra da Estrela» é a estrela desta crónica. É uma peça um pouco longa, mas vale bem a pena. Não há muitos destes cães no Casteleiro. Mas há alguns – e é «nosso» um dos grandes criadores, António Reis Nunes, a residir agora na Quinta do Espinhal mas que se criou no Casteleiro, na Quinta de Santo Amaro, e é o Chanceler da Confraria. Além disso, é «nosso» o meu entrevistado de hoje, António Marques, o Presidente da nossa Junta de Freguesia, que é também um grande criador, grande entusiasta – e dirigente dos dois organismos que mais se empenham na promoção e defesa da raça «Serra da Estrela».
Esta entrevista e as fotos e filmes que aqui trago vão deliciar toda a gente – e não apenas os mais sensíveis à afectividade pujante deste animal…


O cão é um animal especialmente ligado ao ser humano e muito dedicado. Cresci com a Doninha até aos meus 18 anos, se bem me lembro. E o que me e nos custou a todos lá em casa quando morreu…
Há várias raças de cães genuinamente portuguesas. Por todas, cito: o rafeiro do Alentejo, o cão de água, o podengo, o cão de Castro Laboreiro… e tantas. Mas à cabeça, hoje, quero citar uma raça com muita classe e totalmente ligada à nossa zona: o Cão da Serra da Estrela. O «Serra» é o nosso cão. Ora, para salvaguarda do carácter genuíno e para promoção do «Serra» foi criada há três anos uma entidade especial: a Confraria do Cão da Serra da Estrela da qual António Marques é membro dirigente. Mais propriamente, é o Fiel-das-Usanças. A presidência da Direcção compete a António dos Reis Nunes – cujo cargo tem a designação de «Chanceler» e que morou no Casteleiro, na Quinta de Santo Amaro (conheço-o desde criança), sendo agora residente na Quinta do Espinhal, Rebelhos, Belmonte. Tudo aqui ao pé do Casteleiro, portanto.
 

Permitam-me uma nota que, sendo informação oficial, traduz a boa disposição com que estas coisas podem ser feitas. É que os membros da Direcção são designados como «Pastores», os da Assembleia Geral são a «Matilha» e os do Conselho Fiscal, como não podia deixar de ser, são os «Lobos». Isso só mostra o bom humor reinante… Veja aqui
O meu convidado de hoje para a apresentação da Confraria é um entusiasta da criação e da promoção do «nosso» cão. E é também, como sabemos, o Presidente reeleito da Junta de Freguesia do Casteleiro.


O que é um verdadeiro Cão da Serra da Estrela?


António Marques, meu caro Tó Zé, antes de mais – e vamos por partes – o que é um verdadeiro animal que se possa classificar como Cão da Serra da Estrela? Quais as principais características?
- O Cão da Serra da Estrela é, essencialmente, um cão de protecção de rebanhos, de guarda e companhia. Existe na variedade de pêlo curto e pêlo comprido. É um animal rústico, atento, calmo, expressivo, fiel e um excelente guarda do “seu” território. As características técnicas estão descritas no denominado “estalão da raça” que podem consultar no «site» do Clube Português de Canicultura, aqui.
No entanto, por curiosidade, deixo aqui uma descrição feita por Brás Garcia de Mascarenhas no seu poema épico “Viriato Trágico”, do cão de Viriato, que muitos sustentam ser a do nosso Serra. Um poema dirigido a D. João IV a implorar clemência, já que estava preso por desobediência. A prisão era a torre de menagem do Castelo do Sabugal, precisamente o concelho onde a Confraria tem a sua sede.


“Largo de espáduas, de olhos carrancudo,
Rasgada a boca, orelhas derrubadas,
Ventas negras, focinho cabeludo,
Beiços caídos, garras encrespadas,
Fornidos pés e mãos, corpo membrudo,
Seco de ancas, gordo de queixadas,
Curvas e dentes, rabo grosso,
Grosso e curto nos lombos e pescoço”

No Casteleiro há cães com essas características? Ou poderá vir a haver?
- No Casteleiro e no concelho do Sabugal existem alguns exemplares, muitos deles registados no Livro de Origens da Raça.

O «Serra» é meigo ou agressivo? Que outras características afectivas mostra?
- O Serra da Estrela é extremamente afectuoso. Dócil com o seu dono e desconfiado com estranhos!

Apresentam o animal como um elemento de divertimento e de trabalho. Referem-se ao trabalho de ajuda aos pastores sobretudo no passado ou querem referir outras utilidades do Cão Serra da Estrela especificamente?
- Como referi, é essencialmente um cão de protecção de rebanhos e de guarda embora possa também ser utilizado como animal de tracção.


Preservar a raça do «Serra»

Há vantagens em preservar a raça apurada e certificada de um animal deste tipo?
- A única forma de preservar, hoje e no futuro, as características da raça, é manter exemplares devidamente registados no Livro de Origens, existente no Clube Português de Canicultura.

E o que se pode e deve fazer para isso?
- Essa é essencialmente a missão de todos os criadores reconhecidos bem como das duas associações da raça existentes em Portugal: A Associação Portuguesa do Cão da Serra da Estrela (APSCE) e a Liga dos Criadores e Amigos do Cão da Serra da Estrela (LICRASE). Todos podem igualmente contribuir quando, ao adquirir um exemplar, optarem por escolher um criador credenciado. O CPC disponibiliza essa listagem gratuitamente.

Quantos animais há em registo e quantos além disso calculam que possa haver? Na nossa zona, no País todo – e no estrangeiro… têm esses dados?
- No final de 2012, considerando uma esperança média de vida de 8 anos, habitualmente utilizada para este tipo de raças, com base nos registos deverão existir cerca de 4400 exemplares. De pêlo comprido 3900 e de pêlo curto 500.


A Confraria e os seus encontros

Vocês, criadores, escolheram um modelo de associação muito específico: uma confraria. Primeiro, cabe perguntar: o que é uma confraria? O que é a Confraria do Cão da Serra da Estrela – melhor de criadores do cão?
- Os criadores estão reunidos nas duas associações que referi. A Confraria é uma associação de convergência de amigos, criadores, clubes, associações e outras entidades ou individualidades relacionadas com a raça, no intuito da sua valorização histórica, patrimonial, cultural, social e lúdica e não se assume como entidade representativa da raça, estando-lhe vedada essa função junto das entidades oficiais do sector.

Quem preside ou dirige os destinos da Confraria? Como se divulga e promove o cão e como tem corrido essa tarefa?
- Como referido, a Confraria é uma Associação. Tem sócios e estatutos e órgãos sociais eleitos. Temos procurado promover o Serra porque acreditamos que o futuro do Cão da Serra da Estrela passa também, e em muito, pela sua ampla divulgação junto dos mais variados públicos e fóruns e não apenas nos sempre importantes, mas limitados, concursos de beleza.
É nossa ambição e objectivo levar o Cão junto do maior número de pessoas.
Pelo simbolismo, mas essencialmente pelas oportunidades que o movimento confrádico possibilita em todo País e no estrangeiro, a Confraria pode ser um veículo poderoso de levar o cão da serra da estrela a ganhar espaços, a conquistar palcos e a trilhar caminhos nunca antes percorridos.
Uma Confraria é uma irmandade. A nossa confraria é, pois, uma irmandade virada ao futuro, em que o nosso “mais velho” é o CÃO.


Agora as explicações sem as quais ninguém se entende: Assembleia Geral, Capítulo, Grão-Mestre, entronização, oração de sapiência… Isso tudo é uma linguagem muito especial e fechada ou é uma «brincadeira» séria de amigos? 
- A linguagem está relacionada com a terminologia das remotas e seculares confrarias. O Capítulo não é mais que uma Assembleia. É nos Capítulos que são entronizados os novos confrades. Afinal, é uma cerimónia anual que reúne todos os membros. É um momento festivo, sério e de confraternização em que marcam presença delegações de muitas outras Confrarias existentes.

Fazem desfiles só aqui na zona ou também mais longe?
- A Confraria marca presença, sempre que possível, em eventos em todo o território nacional graças à disponibilidade dos confrades que residem em quase todas as zonas do país.

Vocês divertem-se nos vossos encontros, que são também convívios até com outras confrarias, ao que se percebe…
- Nomeadamente aquando da realização dos Capítulos, muitas outras confrarias marcam presença. A verdade é que a grande maioria das Confrarias são gastronómicas. Por isso, ou talvez não, terminamos sempre reunidos à volta de uma mesa…


Promoção do animal e da sua classe

Já estiveram presentes na Bolsa de Turismo de Lisboa por mais de uma vez. Isso significa também alguma forma de promoção também no estrangeiro?
- Existem diversos clubes da raça espalhados pelo mundo, nomeadamente nos países nórdicos, Reino Unido e EUA. O Cão da Serra da Estrela está hoje bem divulgado e é reconhecido internacionalmente.

A sede da Confraria é em Sortelha, uma das vossas madrinhas foi a Confraria do Bucho Raiano. Quer isso dizer que estão muito ligados ao Concelho do Sabugal? 
- De facto, as Confrarias Madrinhas são a Confraria do Bucho Raiano e a Confraria Queijo Serra da Estrela. Por um feliz conjunto de circunstâncias foi possível localizar a sede na bela aldeia de Sortelha. E está muito bem: no Concelho do Sabugal, virada para o solar da raça!

Qual o futuro da raça do Cão Serra da Estrela?
- O Serra da Estrela é o Cão mais belo do mundo. O seu futuro será, certamente, grandioso. Até porque, como Mark Twain escreveu um dia: “No céu entra-se por favor e não por mérito; se fosse por mérito, eu ficava à porta e o meu cão entrava”.


Notas
1 – Recordo que funciona também a Liga dos Criadores e Amigos do Cão da Serra da Estrela (ver aqui), com sede em Gouveia e de que o nosso entrevistado é vice-presidente.

2 –Se tiver interesse em ter acesso a pormenores sobre a raça, aconselho-o a ir beber aqui. E para ver um filme de uma ninhada que é uma ternura «em pessoa», clique aqui. E depois de verem a forma como os cãezinhos se amontoam em cima da dona a dar e a pedir mimos, digam-me lá se o «Serra» não é um grande companheiro, muito afectuoso, e digam-me se sim ou não têm razão os autores deste estudo, que encontrei referido aqui




quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Test

Os membros da Direcção são designados como «Pastores», os da Assembleia Geral são a «Matilha» e os do Conselho Fiscal, como não podia deixar de ser, são os «Lobos». Isso só mostra o bom humor reinante… Veja aqui
O meu convidado de hoje para a apresentação da Confraria é um entusiasta da criação e da promoção do «nosso» cão. E é também, como sabemos, o Presidente reeleito da Junta de Freguesia do Casteleiro.



terça-feira, 8 de outubro de 2013

102






Guarda: Clube apresenta projecto saudável





Nunca ouviu falar de alimentação saudável e de «slow food» - por contraposição a «fast food»? Mora na Guarda ou perto? Então chegou a hora de saber do que se trata.
Um grupo de cidadãos da Covilhã criou um clube especificamente dirigido a um estilo de vida saudável, agricultura biológica, alimentação equilibrada...
Beneficie da apresentação do Projecto CASAS na GUARDA / Segunda-feira, 21 de Outubro, às 19:30, na Martuccis Gelataria.
Para saber mais sobre este clube, aceda aqui. Há nesse «post» acesso a um vídeo que lhe explica tudo em poucos minutos. 
Depois de várias apresentações em cidades da região, chegou a vez da Guarda.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

101

Saiba mais sobre o Projecto CASAS e veja o vídeo da Local TV (último link).

Por um estilo de vida mais saudável


Clube de Alimentação Saudável e Agricultura Sustentável – CASAS


Este Clube (CASAS) tem vários objectivos:
1 – Promover a Economia Agrícola Local.
2 – Promover modos de produção agrícola amigos do ambiente
3 – Fortalecer os laços da Comunidade local.
4 – Divulgar informação sobre a alimentação saudável, a nutrição equilibrada, vários estilos de vida compatíveis com a realização pessoal, bem como produzir alimentos vocacionados para a saúde, protegendo o meio ambiente.
5 Acções de formação sobre as temáticas atrás referidas.

Economia Local, Meio Ambiente e Comunidade.



Covilhã
Por iniciativa de um grupo de cidadãos, a Covilhã já tem um clube de alimentação saudável e de agricultura sustentável. Ao Ignite, Francisco Dinis veio dar a conhecer o projeto que privilegia a produção local, o comércio justo e a slow food.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

95

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2013

Nacional / regional
Análise de abstenções, brancos e nulos



Novo mapa autárquico do País

Passaram oito dias, mas ainda vamos a tempo de uma pequena referência acerca de um fenómeno: o crescimento de votos brancos nulos e de abstenções. 
Num primeiro plano, vamos apenas comparar os resultados ao nível de distritos: Guarda, Viseu, Castelo Branco. E em cada caso, comparar 2013 com 2009. No final, coloco os números a nível nacional para cada uma das mesmas rubricas e também para as duas últimas eleições.
Num segundo plano, estudei os números da abstenção, brancos e nulos - mas virado para os arredores daqui, da Serra d' Opa.
Partindo daí, cada um retira as suas conclusões, se tiver interesse...

Vamos lá então:

I
Plano nacional
Maioria / votação para câmaras: PS (36,25%)
Votantes: 4.996.074
Inscritos: 9.497.037
a. Abstenção 
2013: 47,39%
2009: 40,9%
b. Brancos 
2013: 3,87%
2009: 1,72%
c. Nulos 
2013: 2,85%


2009: 1,25%

II
Plano regional

1. Maioria / câmaras, 
votantes e inscritos / nível 
distrital na nossa zona
Distrito da Guarda
Maioria: PS (39,74%)
Votantes: 103.588
Inscritos: 167.971
Distrito de Viseu
Maioria: PS (39,33%)
Votantes: 216.188
Inscritos: 379.092
Distrito de Castelo Branco
Maioria: PS (44,33%)
Votantes: 107.366
Inscritos: 185.175

2. Abstenção / nível 
distrital na nossa zona
Distrito da Guarda 
2013: 38,33%
2009: 35,02%
Distrito de Viseu 
2013: 42,97%
2009: 37,62%
Distrito de Castelo Branco 
2013: 42,02%
2009: 37,52%

3. Votos brancos / nível 
distrital na nossa zona
Distrito da Guarda 
2013: 3,13%
2009: 1,79%
Distrito de Viseu 
2013: 3,36%
2009: 1,51%
Distrito de Castelo Branco 
2013: 3,75%
2009: 2,44%

4. Votos nulos / nível 
distrital na nossa zona
Distrito da Guarda
2013: 3,04%
2009: 1,76%
Distrito de Viseu
2013: 2,78%
2009: 1,49%
Distrito de Castelo Branco
2013: 2,99%
2009: 1,90%


III
Plano local

Casteleiro
Maioria/AF: Lista independente - 89,57%
Votantes: 163
Inscritos: 400

a. Abstenção
2013: 59,25%
2009: 44,03%
b. Brancos
2013: 8,59%
2009: 3,49%
c. Nulos
2013: 1,84
2009: 2,71%

Sortelha
Maioria/AF: PS - 72,22%
Votantes: 288
Inscritos: 525

a. Abstenção 
2013: 46,14%
2009: 39,53%
b. Brancos 
2013: 1,04%
2009: 0,85%
c. Nulos 
2013: 1,74%
2009: 1,71%


Moita / Santo Estêvão
Maioria/AF: PS - 27,37%
Votantes: 285
Inscritos: 520

a. Abstenção 
2013: 46,19%
2009: 41,51/42,5%
b. Brancos 
2013: 4,21%
2009: 0,86/3,85%
c. Nulos 
2013: 4,21%
2009: 5,17/2,56%


Vale da Sra. da Póvoa
Maioria/AF: PS - 60,29%
Votantes: 209
Inscritos: 269

a. Abstenção 
2013: 22,30%
2009: 22,98%
b. Brancos 
2013: 0%
2009: 2,11%
c. Nulos 
2013: 1,44%
2009: 0%


Caria
Maioria/AF: PS - 54,66%
Votantes: 1.199
Inscritos: 2.004

a. Abstenção 
2013: 41,17%
2009: 37,52%
b. Brancos 
2013: 3%
2009: 1,74%
c. Nulos 
2013: 3,67%
2009: 1,27%


Bendada
Maioria/AF: PSD - 64.17%
Votantes: 427
Inscritos: 655

a. Abstenção 
2013: 34,71%
2009: 32,22%
b. Brancos 
2013: 0,70%
2009: 0,39%
c. Nulos 
2013: 0,47%
2009: 0,97%

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

94


    Entrevista com 

      Ricardo Nabais      




Associação «Transcudânia»

Pela Valorização do Património Histórico 
e Natural do Concelho do Sabugal

O nosso entrevistado de hoje é Ricardo Nabais, jovem engenheiro florestal, natural do Casteleiro, é presidente da Direcção da Transcudânia (“Associação para a Valorização do Património Histórico e Natural do Concelho do Sabugal”, com sede no Casteleiro - aceder por aqui e aqui). É técnico na Associação Transumância e Natureza, com sede em Figueira de Castelo Rodrigo (ver aqui aqui). No meio de todas estas frentes de trabalho, Ricardo Nabais ainda acumula com a direcção do Núcleo da Guarda da Quercus.
Multifacetado como é, em linha média posso resumir que, «grosso modo», passa os seus dias a cuidar do Planeta, de várias formas e feitios mas sempre em defesa de causas ambientais e correlacionadas. Um dos projectos que concebeu, o Gesterra - gestão de terrenos abandonados -, foi distinguido com um prémio de empreendedorismo na Guarda.
Daí à criação de uma empresa do ramo foi um passo: nasceu o projecto empresarial Rotas & Raízes, apresentado aqui.
Vamos então à conversa.
  


Transcudânia: há quase oito anos

Ricardo Nabais, como é esta tarefa de, durante os três nos que agora terminam, presidir a uma associação, a Transcudânia, que se propõe valorizar o Património Histórico e Natural do Concelho do Sabugal?
A Associação Transcudânia pretende valorizar e divulgar o nosso concelho. De facto, o concelho precisa de uma intervenção conjunta e urgente que promova e convide visitantes, fixe habitantes jovens e crie condições de atrair novos residentes. Gostava de dispor de mais tempo para dedicar à Associação e ao trabalho que temos pela frente, mas não tem sido fácil: somos poucos e todos temos actividades profissionais distintas. Vamos fazendo o que é possível. Mas há muito a fazer.

A Transcudânia foi criada em 2006 por iniciativa de jovens do concelho do Sabugal. Mas os primeiros anos não foram fáceis. E hoje, as coisas vão melhor?
Melhor, não sei até que ponto… O número de sócios aumentou, a intervenção da Transcudânia vai sendo reconhecida no concelho… Este ano conseguimos realizar mais uma edição do Festival Iberfolk. A maior dificuldade é a pouca disponibilidade dos jovens e de pessoas que se interessem em dinamizar a Associação e o concelho. Nos dias de hoje, em que cada vez temos mais obrigações e encargos profissionais, torna-se mais complicado dispor do tempo necessário para que qualquer associação funcione somente com voluntários.

Quais são os vossos principais objectivos hoje?
Dinamizar o património histórico, cultural e natural do concelho e divulgar o concelho em eventos de índole nacional e internacional. No momento em que preparamos esta entrevista, temos agendadas duas actividades, uma a realizar a 6 de Outubro, no âmbito do Fim de Semana Europeu de Observação de Aves, que decorrerá na Serra da Malcata e iremos também fazer as tradicionais Rondas de S. Martinho.
Pretendemos de facto, valorizar as potencialidades locais e regionais.

Registemos: tem havido apoios

Têm apoios, recebem incentivos de algumas entidades?
Sim. Como disse, este ano realizámos mais uma edição do Festival de Música Iberfolk, que foi apoiado, entre outras entidades, pela Câmara Municipal do Sabugal, termas do Cró, Viúva Monteiro, e Irmão, Lda e Junta de Freguesia de Sortelha – que também nos tem apoiado, sempre que solicitamos colaboração.

Com que entidades mantêm parcerias?
Temos parcerias com a ATN – Associação Transumância, que gere a primeira reserva natural privada, a Reserva da Faia Brava, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, a Biodiversity All, a Casa do Castelo do Sabugal (enquanto funcionou), o Fórum Florestal - Estrutura Federativa da Floresta Portuguesa e a Confraria Cão Serra da Estrela – isto, entre outras entidades, com que estão a ser estudadas as formas de colaboração.

Em que ponto está a vossa ambição de criarem uma rede de circuitos de turismo ambiental?
Falta o tempo para desenvolver este e outros projetos. Mas temos uma petição em conjunto com as juntas de freguesia envolventes da Serra da Malcata para que as casas dos guardas florestais sejam abertas e possam ser utilizadas pelas juntas, associações e mesmo empresas de animação turística, trazendo assim visitantes e dinamizando atividades na Serra da Malcata, que tem potencial que não está a ser utilizado.



Jovens e emigrantes são prioridade

Para a Transcudânia, a promoção que querem fazer sobre o Concelho tem em vista que públicos-alvo?
Tem em vista, em primeiro lugar, os jovens do concelho, procurando ajudar a criar condições para que possam se manter por cá; temos também como público-alvo, jovens e adultos que venham visitar o concelho e descobrir os encantos e potencialidades da nossa Região, para que possam voltar e trazer os amigos e a família, como tem vindo acontecer com o programa da Ciência Viva no verão.

Também consideram alvo prioritário os emigrantes e os residentes em zonas de grandes migrações internas como Lisboa e arredores?
Sim, claro que sim. Durante os meses de maior visita de imigrantes, no Verão, temos vindo a realizar os Passeios Ciência Viva, com visitas à Reserva da Malcata, à Serra dos Fóios e aos castelos do concelho.
Durante o ano, nas actividades que realizamos, temos sempre a participação de vários conterrâneos residentes fora do concelho, mas que continuam a vir participar em datas especiais.

Ao que sabemos, é vossa intenção apoiar a criação de empresas locais, já que as consideram como património social. A que tipo de empresas se referem? E, uma vez que apoiam a organização autónoma dos jovens, são prioritárias para a Transcudânia as empresas de jovens empreendedores? Que apoios lhes podem facultar?
A todo o tipo de empresas, a nossa ajuda é ao nível de partilha de conhecimentos sobre como criar uma empresa. Colaboramos também na divulgação da empresa, criamos uma rede de troca de ideias e ajuda entre empreendedores, através da página no facebook e no blog ‘Raia Empreendedora’ – ver aqui e aqui.



  
Projectos na área da Formação, também

A Associação tem projectos também, como anunciam no vosso ‘site’, em matéria de colaboração com as autarquias e associações locais na formação de activos e desempregados. Tem acontecido algo nesta frente difícil, sobretudo nas actuais condições da economia?
No início, a associação teve alguma formação nesta área em parceria com várias entidades. Nos dias de hoje, não é qualquer entidade que pode dar formação. Para a formação ter validade e ser credenciada tem de ser ministrada por entidades certificadas pela DGERT. A associação não o é e ainda não reúne nem as condições financeiras nem os recursos humanos necessários para se certificar. É uma área pela qual pretendemos enveredar, mas para isso ainda temos de crescer e investir muito.

O voluntariado é a base deste tipo de associações em todo o País. Numa zona algo deprimida e muito sujeita aos fenómenos da desertificação, como a nossa, este objectivo tem tido sucesso? O que pedem aos voluntários? Como faria para aliciar os nossos leitores?
Conforme já tive oportunidade de referir em questões anteriores, não tem sido fácil. A Associação tem poucas pessoas a “trabalhar”. Quando temos eventos de maior complexidade, aí, sim, pedimos ajuda e temos tido jovens voluntários a colaborar connosco. A única coisa que pedimos aos voluntários é que procurem fazer mais pelo nosso concelho, que sejam activos e que criem dinâmicas que activem o concelho e o tornem atractivo para os que estão e para o que nos visitam.

O que poderá seguir-se nos próximos tempos em matéria de actividades específicas da Transcudânia?
Os próximos tempos serão de arrumar a casa e preparar uma nova lista para as eleições que se avizinham, em janeiro de 2014.
Enquanto isso, iremos dar continuidade às atividades que já organizamos regularmente e recuperar outras, através de tradições ou costumes existentes no concelho (que se tenham perdido), realizando algo em volta dessa temática.
Pretendemos também colaborar ainda mais com os parceiros que já temos em alguns projetos específicos que possam ser alargados e implementados no nosso concelho.




terça-feira, 1 de outubro de 2013

93

Casa das Histórias
Belmonte
Maçainhas


Vale a pena conhecer melhor.
Trata-se de uma empresa da área da promoção de eventos, muito virada para aspectos históricos e com sede em Maçainhas.
Eis alguns apontamentos para aguçar o apetite...

Foto: HORSES were brought back to the Arann Isles of Ireland to graze in the month of September. All the horses from this island were taken from the islands in June and put out on grass among the hills of Connemara from June to the end of September, as there was no grazing in the Arann Isles during the summer. September maked the return of the horses to sea-islands like unto the horses of Manannán moving into the west at the waning of year.

Conheça...

1
Durante os meses de Outubro e Novembro, a Casa das Histórias irá realizar atividades culturais ligadas ao tema do Maravilhoso Popular, em particular na região Beirã, assim como da herança celta em Portugal.

2
Belmonte Lusitani
Rádio Caria.
Clique neste link para aceder:

3
Abra este pdf e conheça o projecto empresarial Casa das Histórias, em Maçainhas.

4
É um prazer do 'Serra d' Opa' divulgar esta espécie de serviço público pago.

Nota
Não, não é publicidade paga: é mesmo meu prazer trazer-lhe iniciativas deste tipo.